Ibrahimovic terá que deixar seu ego de lado no retorno ao United

Ele é diferenciado: quatro meses após fraturar os ligamentos do joelho, Ibrahimovic demonstra uma melhora exponencial na condição física e planeja um retorno no dia 28 de outubro. Lesões desse nível geralmente requerem duas cirurgias – passou apenas por uma – e a previsão inicial indicava a possibilidade de voltar a jogar lá pelo começo de 2018. Seu marketing é um dos mais destacáveis no mundo do futebol, fazendo do nome uma das supermarcas dentro desse cenário. Junto ao United e à adidas, em termos comerciais o casamento certamente é um sucesso. E dentro das quatro linhas? Bem, os argumentos terão que mudar um pouco.

Em agosto de 2016, quando desembarcou no aeroporto de Manchester, não restavam dúvidas sobre o impacto geral da contratação. O fator psicológico que uma estrela carrega ao vestiário é um aspecto importante e o ânimo nos bastidores com certeza melhorou desde então. Em campo, nem se questionava: depois de anos sem uma grande produção vindo de um centroavante, a nova presença era garantia de bola na rede. E foi; em 46 aparições, registrou 28 gols e ainda contribuiu com 9 assistências. Isso dá um gol/assist a cada 104 minutos. O resultado, portanto, foi positivo e o sueco teve ótima participação nos títulos da EFL Cup e da Europa League – o torneio que salvou nossa campanha.

O esporte, porém, é cruel. Mesmo que os números agradem e façam parte de dois troféus, o desempenho como um todo pode deixar a desejar. E esse infelizmente foi o caso – sem ir a algum extremo, é claro. Ficou visível, principalmente em 2017 (depois de um início bem empolgante), que Zlatan não estava conseguindo se manter no patamar de atacantes que devemos ter como objetivo. Dentro das partidas, o pé parecia demorar pra engrenar e culminava em inúmeras chances perdidas, como vocês lembram bem. O ponto fundamental nessa discussão, no entanto, gira em torno do estilo demonstrado pelo atleta.

No alto dos seus 35 anos, ele simplesmente não tem mais os atributos – e a vontade, pela impressão que passou – para ser um finalizador impiedoso. Uma cena tradicional em 16/17 foi vê-lo recuando para sair da marcação e atuando como um articulador extra, procurando ultrapassagens (esporádicas) de outras peças para lançar e aí sim agir com a bola. Faltava aquela coisa de ficar no ombro da zaga, oferecer linha de passe em profundidade e correr verticalmente nesses canais para deixar o setor bem mais poderoso. Isso não se materializou e, de forma irônica, é justamente o diferencial de seu concorrente.

Lukaku já provou, com seus 169 gols aos 24 anos, sendo 88 pela Premier League, que é o cara para comandar o ataque. Seus passos iniciais em Old Trafford, junto com o rendimento de Matic, representam boa parte das razões que motivaram o ânimo geral da torcida. Sentimos que temos um striker preparado para qualquer chance e tipo de jogo. Sua influência não é vista com lançamentos, posicionamento entrelinhas ou algo assim. Tratamos exatamente da correria – com timing, não apenas velocidade – pra cima dos adversários, provocando certo desespero e criando naturalmente oportunidades para ele e os companheiros. E seu aproveitamento na frente do goleiro é superior.
Quem assistiu os triunfos sobre West Ham e Swansea entende bem o que estou falando.

O próprio Ibra, perguntado sobre o belga ex-Everton, disse que está feliz com a aquisição e pensa que “o time está muito mais forte nessa temporada”. É bem essa a questão. Na última campanha, chegando em uma equipe inconsistente e quebrada mentalmente, ele estava pronto para ser o boss em todos os sentidos. Agora, por outro lado, o impacto deve se reduzir ao papel de motivador no elenco e um tutor para os jovens talentosos. Dentro do gramado, podemos esperar aparições frequentes, mas não precisamente como titular. Temos outro rapaz preparado para a função a curto, médio e longo prazo. E por isso merece prioridade.

Nosso novo camisa 10, por sua vez, pode ser crucial em alguns cenários específicos. Saindo do banco para pegar defesas cansadas, iniciando partidas em semanas de compromisso quarta/domingo e tirando um pouco do peso dos garotos. Pode atrair as atenções para ver os companheiros fazerem o trabalho na prática, de forma direta. Resumindo, Zlatan será Zlatan apenas fora do campo e terá de se conformar com isso. Dentro dele, temos peças prontas para assumir a responsabilidade e estar nos holofotes. A harmonia é a mais agradável em muito tempo e ele pode agregar bastante nas bordas, mas não no núcleo dessa estrutura montada por Mourinho.

O veredicto, por fim, é positivo. Grandes conjuntos precisam de vários jogadores de qualidade, não apenas três ou quatro. E não tenho dúvidas que Ibra se encaixa nesse grupo. Entendendo que o panorama mudou consideravelmente e as necessidades/lacunas também, a recontratação tem tudo pra dar certo. Só vai passar por parâmetros diferentes de avaliação.

fonte completa : espnfc.espn.uol.com.br

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