Prontuário Eletrônico: tecnologia a serviço da saúde

No início, a população de São José, no Interior de Santa Catarina, estranhou um pouco ter que fazer cadastro na recepção da Unidade Básica de Saúde (UBS). Mas agora, os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) tecem elogios ao Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC). Quem confirma é a diretora de Atenção Básica do município, Fabrícia Martins. “A partir do momento que eles perceberam que tinham acesso às suas informações, que elas estariam disponíveis a qualquer momento e em qualquer unidade e que não havia necessidade de repetição da sua história, eles compreenderam a importância do sistema e da informatização”, diz.

A Secretaria de Saúde de São José (SC) começou a implantar o Prontuário Eletrônico em junho do ano passado, em quatro unidades-piloto. Deu muito certo e, hoje, todas as 23 UBSs da cidade contam com essa tecnologia a serviço da saúde. Ao todo, 65% dos 236 mil habitantes já utilizam o e-SUS, onde estão registradas as informações de saúde. A gestão local almeja cadastrar 100% dos moradores, mesmo aqueles que não são usuários dependentes da rede pública.

Implantar o Prontuário Eletrônico foi a solução encontrada para os problemas que ocorriam com registros feitos em papel. “Por vezes, a gente extraviava esses prontuários manuais, perdia esses históricos. Às vezes, a falta de informações inviabilizava o trabalho do profissional que atendia posteriormente. Agora tem a continuidade do cuidado. Quem recebe esse usuário não tem dificuldade de compreender a sua história de saúde e doença”, esclarece Fabrícia.

Como funciona

O Prontuário Eletrônico do Cidadão é um software (aplicativo) criado para registrar e guardar todas as informações dos atendimentos aos cidadãos nas Unidades Básicas de Saúde. Ele armazena detalhes da consulta e do diagnóstico, como os medicamentos prescritos, os procedimentos realizados, o resultado de exames e a evolução do paciente. A ferramenta agiliza o atendimento, inclusive o encaminhamento para serviços especializados, e reduz custos, porque evita, por exemplo, a duplicidade de exames e a retirada indevida de produtos nas farmácias. Também é uma maneira de controlar e fiscalizar os procedimentos realizados no SUS.

“O Prontuário eletrônico nas UBSs passou a ser prioridade máxima na atual gestão do Ministério da Saúde e haverá um grande investimento para garantir isso, e o prazo é o ano de 2018”, garante Allan Nuno, coordenador-geral de Acompanhamento de Avaliação do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde.

De acordo com Nuno, já foram feitas consultas públicas para a implantação do prontuário eletrônico. Buscam-se empresas e serviços que possam garantir equipamentos, suporte e treinamento nas Unidades Básicas. “Na medida em que os municípios forem aderindo, teremos a possibilidade concreta de ter o PEC em 100% das 42 mil UBSs brasileiras”, destaca o coordenador.

Planejamento

Além de informatizar os atendimentos, essa ferramenta tecnológica também gera dados para facilitar o planejamento das secretárias de saúde e do governo federal. Por isso, em outubro do ano passado, o Ministério da Saúde determinou que todas as Unidades Básicas de Saúde do Brasil adotassem este ou outro sistema de preferência do gestor local para informatizar serviços da Atenção Básica, em um prazo de 60 dias. O pagamento do Piso da Atenção Básica Variável (PAB Variável), recurso que o Ministério da Saúde repassa aos municípios para ações da atenção primária, ficou condicionado à adoção de um sistema.

Os municípios que não conseguiram implementar tiveram que justificar o motivo ao Ministério da Saúde, já com o prazo estabelecido para resolver os empecilhos à implantação do prontuário eletrônico.

Insuficiência de equipamentos, conectividade e a falta de apoio em Tecnologia da Informação foram as justificativas mais frequentes. E para ajudar os governos municipais, o Ministério tem apoiado com a aquisição de equipamentos, conectividade e com o treinamento de profissionais no uso de prontuários eletrônicos. Já foram feitas, por exemplo, mais de 19 oficinas estaduais para capacitação de pessoal, além de divulgação de materiais, manuais e cursos a distância.

Atualmente, 14.888 UBS, localizadas em 3.203 municípios, já atenderam ao chamado. O prontuário eletrônico beneficia 83,3 milhões de brasileiros e mais de 131 milhões de procedimentos realizados na Atenção Básica foram registrados até agora.

“A gente não se imagina sem essa ferramenta”

Em São José (SC), a implantação foi prática. Eles montaram um grupo formado por técnicos administrativos, enfermeiros e médicos, e fizeram simulações. Os profissionais precisaram apenas de microcomputadores e internet. “Hoje a gente já não se imagina sem esta ferramenta. Como temos informações mais ricas, a gente respeita a singularidade de cada território. O sistema mudou radicalmente o atendimento e qualidade dos dados que a gente produz”, conta a diretora de Atenção Básica do município.

Aliás, Santa Catarina é o estado que mais avançou com o Prontuário Eletrônico. Pois, 83,9% das Unidades Básicas catarinenses possuem algum sistema, seja o do Ministério da Saúde ou outro qualquer que atenda as especificações da pasta.

Fonte: Blog da Saúde

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