Brasil para todos – Educação – Parte 1

Em uma visão ortodoxa do Estado brasileiro vemos um povo ser nivelado tão inferiormente que poucos se atrevem a olhar para os lados ( quem dirá para cima ) e vislumbrar alguma saída desta mesmice, desta ignorância que traz o caos, desta descrença que revela nossa humilhação no dia a dia.

Hoje tomei conhecimento de dois casos distintos, mas que me chocaram da mesma maneira.

O primeiro  foi de pais que, ao verificarem que a  filha adolescente de 15 anos ainda não havia chegado da escola, ligaram para o motorista do transporte escolar.  Este disse que havia deixado a menina no ponto de ônibus. Os pais se dirigiram então para o ponto costumeiro e não encontraram a filha. Seguiram então por cerca de 2km e acabaram por encontrar o corpo da estudante à beira da estrada.  Conforme a primeira perícia do local e a vistoria do veiculo escolar constatou-se que a blusa da adolescente havia se prendido ao ônibus, e que o veículo a arrastou pelo caminho, causando sua morte. O motorista foi preso pelo crime de assassinato culposo, um caso de extrema dor para os parentes e amigos da vítima.

Já o segundo caso, algo completamente diferente, mas que encontra relação com o Estado. O STF, em uma comunicação diária do CNJ, cujo trabalho acompanho, decidiu que só crianças com 6 anos completos  até o dia 31 de março do ano da matricula poderão ingressar  no ensino fundamental. À primeira vista isto não parece tão ruim, mas vemos casos e casos de crianças que tem uma curva de aprendizagem alta e elas têm uma idade inferior aos 6 anos; ao mesmo tempo temos alunos que não estão suficientemente preparados aos 7 ou 8 anos de idade para estarem no ensino fundamental.

Exponho aqui minha observação pura e simples, propondo algumas questões relevantes às questões acima descritas. No caso da adolescente encontrada morta, ela foi vítima por descaso ( do motorista, prefeitura, Estado ) porque não havia um(a) monitor(a) no veiculo em que a menor estava sendo transportada? E faltou com  seu dever de motorista de coletivo da Educação o profissional ao deixar de observar se a estudante  já estava em segurança longe do ônibus?

No segundo caso, por que uma criança com 4 ou cinco anos que já sabe ler, escrever, que basicamente sabe o  certo e o errado e que sabe também respeitar aqueles à sua volta é proibida de frequentar a escola no ensino fundamental? E será que o aluno com 7, 8 ou mais que demonstra incapacidade em se comportar e respeitar os que estão a sua volta não merece um cuidado maior por parte do estado?

A Educação está sendo nivelada por baixo,  e acredito que isto está negativando o aprendizado dos que tem capacidade diferenciada, seja ela pra mais ou para menos.

A indignação não é por um ou pelo outro: é por estamos reféns de um Estado que reverencia Jean Piaget como supremo em uma Educação que já não é mais a mesma que era 50 anos atrás.

 

Fontes:

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/adolescente-e-arrastada-e-morre-apos-blusa-ficar-presa-em-onibus,cafac9987b3b53f2510b8eccdf1efe6a4fjw1ezc.html

http://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2018-08/stf-mantem-idade-minima-para-ingresso-no-ensino-fundamental

Fotos:

 

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