PSDB pagando o preço por não ser de Direita

Geraldo Alckmin passou a defender o voto útil como uma forma de chegar ao segundo turno, dizendo que votar em Bolsonaro é eleger o PT. Mas em agosto do ano 2000, quando era candidato a prefeito de São Paulo, ele criticou esse expediente com a seguinte declaração: “falar em voto útil é ser contra a democracia porque evita debate de ideias e tira do leitor o direito de comparar as propostas dos candidatos”.

O PSDB, no entanto, aposta agora que, se Fernando Haddad aparecer em segundo lugar nas pesquisas, será possível fazer com mais eficiência a pregação do voto útil em Alckmin, na linha de que só o tucano poderia evitar uma vitória do petista. Acontece que Jair Bolsonaro está tecnicamente empatado com Haddad nas projeções de segundo turno, tendo aparecido numericamente atrás no Datafolha – 38% a 39% – e na frente no Ibope, com diferença até maior  – 40% a 36%. Ou seja, por enquanto, nem as pesquisas – se alguém aí confia nelas – cravam uma derrota de Bolsonaro para o  PT – o que dificulta o marketing eleitoral de Alckmin.

Em tese, claro, não é  matematicamente impossível que, se houvesse um segundo turno entre Alckmin e Haddad,  o tucano vencesse.

Mas o fato de o PSDB ter sido derrotado nas quatro últimas eleições presidenciais para o PT em segundo turno, uma delas com próprio Alckmin como candidato, dificulta ainda mais a disseminação da crença de que ele teria mais chances que Bolsonaro contra Haddad.  Mas o PSDB sempre dependeu de voto útil. O que teve nessas quatro últimas derrotas foi em boa parte voto útil contra o PT.  Agora que há outras opções competitivas, o PSDB patina nas pesquisas porque só lhe restou o pouco eleitorado que tem. Até o Liberal João Amoedo, presidenciável do Partido Novo, começou ofensiva contra Alckmin porque identificou enorme potencial de migração desse eleitorado tucano para sua campanha.

Diante do drama eleitoral do PSDB Tasso Jereissati, ex-presidente do partido, listou o que chamou de “um conjunto de erros memoráveis que os tucanos cometeram” e concluiu  que “fomos engolidos pela tentação do poder”.

Mas a verdade é simples: o PSDB está pagando o preço de nunca ter virado à direita.

 

Fonte: Felipe Moura Brasil – Jornal da manhã JovemPan.

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