Um lugar … duas histórias

Uma construção se tornou imponente e central; a outra, erguida pequena e simples, assim se mantém. Trata-se dos caminhos tomados por uma Igreja Matriz e uma capela, ambas sob a proteção  de Nossa Senhora do Rosário, santa de devoção dos habitantes da ainda hoje pequena cidade de Alvinópolis. São fruto de um contexto “…em que a Igreja teve um papel preponderante na urbanização do território…”, e “ …cuja atuação vai desde a organização da vida social e cultural das cidades … ressaltando-se seu destaque na própria configuração espacial das cidades”.

A cidade onde estão inseridas é pequena, fica no centro-leste do estado na Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte e Microrregião de Itabira, e seu início está ligado a um desbravador. Segundo registros oficiais,“O sertanista Paulo Moreira da Silva acampou com sua gente no Gualaxo do Norte, ali descobrindo ouro. (Basílio de Magalhães- expansão pág.25).  Depois de muito lutar contra os índios, estabeleceu-se e iniciou a povoação que levou seu nome – Paulo Moreira (Diogo de Vasconcelos – Hist. Ant. de Minas Gerais pág.162). O solo fecundo atraiu outros grupos de famílias que aqui se fixaram por volta de 1730. No início da povoação a economia girou em torno da agricultura que abastecia as regiões mineradoras de Mariana e Ouro Preto”.

A Capela foi erguida primeiro e sua construção permitiu a nuclearização do cidade em seu entorno e, mais tarde, também da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário. A igreja Matriz, de acordo com a TV Educar “construída no período Neoclássico”, tornou-se um marco arquitetônico da cidade e região atraindo muitos visitantes à cidade para conhecê-la e apreciar sua beleza histórica. A graciosa Capela do Rosário, construída pelas mãos de escravos em uma época em que estradas eram raras, tem pequenas dimensões mas ainda acolhe os fiéis, mantendo calorosa relação com o Congado local e  destacando-se durante a Festa da Padroeira da cidade.

Até os dias de hoje tais edificações mantêm sua importância para a religiosidade da comunidade, atraindo devotos alvinopolenses que não mais moram no município. Elas foram incorporadas ao Conjunto Arquitetônico Padre José Marciano de Aguiar, conjunto este que existe desde o tombamento municipal em 2006 por iniciativa de um grupo de pessoas liderado pela figura do Sr. Adão Trindade, funcionário Público da Prefeitura. Possivelmente as pessoas que tiveram a diligência da criação do Conjunto do Patrimônio Histórico tinham em mente a valorização dos prédios e seu entorno e, mais ainda, consideraram a manutenção de uma memória física, visual e coletiva das pessoas da cidade.

Hoje estes lugares continuam envolvidos no dia a dia das pessoas, muito embora, por questão de segurança, os edifícios somente são abertos ao público quando da realização de algum evento (missas, casamentos, batizados, quermesses, participação do congado, etc).  

Mas ainda são locais vinculados a uma memória oficial, com um véu ocultando a verdadeira história ligando-os ao coronelismo e escravidão negra existente na época do início de suas construções. Nota-se que as pessoas que os visitam são em sua maioria religiosas.

Também visitei estes prédios. Sou uma das pessoas que tinha conhecimento da existência deles e os visitei pela sua fama, importância, história e localização (próximos à minha residência).

Devo confessar que antes das aulas de História e Memória eu não dava o devido valor a tais monumentos. Para mim eram apenas símbolos concretos de devoção. Após as aulas pude perceber que existe neles um fardo muito maior e mais complexo do que parece: esses ambientes (ou espaços)  carregam uma história riquíssima e respeitável, ainda com muitas memórias a se explorar.

Referências

MEDEIROS, Ana Paula Garcia de. Igreja e religiosidade na urbanização de cidades coloniais nas Américas, nos séculos XVI a XVIII. Revista Urutágua, acadêmica multidisciplinar – DCS/UEM, nº 21, maio/junho/julho/agosto 2010.

Revista “ Alvinópolis em Foco” Edição especial – 1992.

Álbum de Alvinópolis – Edição ano de 1941 – Administração do Pref. Sr. Manoel Araújo Porto.

TV Educar. Matriz de Alvinópolis passa por reformas. 2011. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_Hq-_POwpLo>. Acesso em: 24 jun. 2018.

imagem editadas a partir de:

dioceseitabira.org.br / farm9.static.flickr.com

 

Tabalho da aluna: Anny Polycarpo da Cruz 1ºA turma 18-20 CAP-Coluni-UFV

Link do Original ainda indisponível

 

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